segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

É SÓ QUERER, MÃE!


Sempre tive orgulho de ser mãe da Alice. Doce, calma, delicada e muito esperta ela sempre me deu motivos para enchê-la e beijos, porém hoje ela me deu motivo para encher meus olhos d’água...
A Alice sempre gostou muito de dança, na escolinha a professora sempre me dizia para colocá-la no ballet, mas eu nunca botei muita fé, achava que era coisa de criança, que ia passar. Em dezembro de 2007, ao perguntar o que ela queria ganhar de Natal ela me respondeu que queria uma bicicleta e aulas de ballet. A bicicleta era fácil, faz-se um crediário e pronto! Mas ballet? Como é que ia ser? Tudo é muito caro! Passaram o Natal, o ano novo e ela ganhou a bicicleta, mas não esqueceu do ballet. Por fim, depois de muito pesquisar consegui encontrar uma academia em que as aulas eram de sábado e ainda tinha natação por um valor que dava pra ser. Quem sabe se ela não desencantava do ballet?
Ela me surpreendeu. Primeiro porque demonstrou saber mais do que eu sequer imaginava (em 2 aulas foi transferida do básico ao intermediário e depois de 2 meses para o avançado) e depois porque chegava a ser intragável quando um fio do coque estava fora de lugar ou chegava 3 minutos atrasada na aula (esse dia ela fez um escândalo tão grande que até a professora se assustou!) Também chegou até a diminuir a alimentação porque ouviu que bailarina tinha que ser magérrima...
Comecei a levar mais a sério. Comecei a assistir todas as aulas, (sem chegar atrasada), pesquisava com ela na internet sobre os movimentos da aula e sobre a história do ballet, baixava músicas para ela conhecer, treinava com ela em casa (eu levava cada tombo!) e assim ia indo. Um dia depois da aula a professora veio conversar comigo e me convencer de que a Alice tinha todas as condições necessárias para ser uma bailarina profissional. Eu hesitei. Não seria muita responsabilidade pra uma criança da idade dela? E as condições? Seriam necessárias horas de treino... E como eu iria bancar tudo isso? As academias de dança são sempre tão caras...
Os olhinhos da Alice brilhavam quando veio com a solução: “Mãe! Eu posso entrar no Municipal, assim a senhora não tem que pagar as aulas!”.
Mais essa agora! Como é que eu iria explicar pra aquela menininha de sonhos tão grandes quanto seus olhos que na maioria das vezes as coisas não são tão fáceis quanto imaginamos? Que teríamos que enfrentar muitos obstáculos e que ... Ai! Eu não sabia como!
Mas aqueles olhos grandes não me deixaram negar a oportunidade de tentar. Fui atrás, pesquisei, vi o quanto era difícil, expliquei à ela e mesmo assim ela se manteve firme. No dia do exame ela estava com uma tranqüilidade e uma confiança que me impressionou. Acho até que eu estava mais nervosa que ela. Alice já se sentia a própria aluna.
Hoje fomos saber o resultado do teste e quando vi o nominho dela na lista dos aprovados meus olhos encheram d’água. Olhei para a minha pequena Alice, dei os parabéns e ela me respondeu com a cara mais tranqüila do mundo: “Viu Mãe?! É só querer!”.
E meus olhos ainda não pararam de se encher de lágrimas...

2 comentários:

  1. coisas de mãe: minha mãe já quis me tirar da dança quando menor por vários motivos: febre de ensaio, dores diárias (suportáveis) ou até pelos calos. kkkkk mãe de bailarina precisa de calma e cuidado para não se alarmar de mais ou "de menos". vida de bailarina é uma delicia, mas no começo é difícil. =**

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  2. Você disse tudo:"...não se alarmar de mais ou "de menos". Vou lear a risca esse conselho! rs

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Parla criança!